Vivemos e Trabalhamos no Campo

Vivemos e Trabalhamos no Campo

Começo a achar que em Portugal o mais frequente é o mal triunfar sobre o bem, coisa que nem no Game of Thrones acontece. Ainda não refeitos dos acontecimentos dos últimos dias, envolvendo um ex-Primeiro-Ministro, vemo-nos agora confrontados com mais uma grande reportagem pseudo-ambientalista e transmitida pela RTP (canal público pago por todos nós), desta feita sobre a agricultura intensiva, que deixou muito a desejar sobre a Verdade.

Nos últimos tempos, temos vindo a assistir a uma campanha mais ou menos organizada contra a agricultura, a intensiva, a que utiliza fitofármacos, a que utiliza fertilizantes, enfim, contra a agricultura que nos alimenta.

O ambiente, a biodiversidade, os serviços dos ecossistemas são hoje palavras na boca de toda a gente. É natural. Durante muitos anos, após as Grandes Guerras, estes problemas não se colocavam porque havia fome na Europa; a prioridade era a produção de alimentos. Hoje não é assim e nem com a pandemia faltaram alimentos nos supermercados. E porquê? Porque a agricultura moderna não parou e as cadeias de abastecimento não pararam também. A fome na Europa não passa de uma recordação longínqua que a maioria de nós, felizmente, só conhece pelos livros de História.

Houve muitos erros no passado, a maioria por desconhecimento dos impactos negativos que provocavam no ambiente. Mas temos aprendido! E temos a perfeita noção que o planeta é só um! Mas temos todos de comer, todos os dias, e cada vez somos mais. E por isso a agricultura evoluiu, modernizou-se e tornou-se mais produtiva. Foi essa evolução que nos permitiu chegar onde estamos agora: não saber o que é ir ao supermercado e não haver alimentos!

A evolução tecnológica – aliada ao que aprendemos com erros do passado – está a levar a agricultura a um caminho de cada vez maior eficiência na utilização dos recursos, água, fertilizantes, energia, fitofármacos. Sensores, drones, satélites e tratores autoguiados são hoje uma realidade. Produzir mais com menos é a tónica comum na maioria das explorações agrícolas.

É esta eficiência que nos leva a uma agricultura cada vez mais sustentável, adotando práticas mais amigas do ambiente e valorizando o que já existe nas explorações, como, por exemplo, os bosquetes, as faixas para os polinizadores ou as linhas de água. O objetivo é melhorar habitats e procurar tirar cada vez maior partido dos serviços dos ecossistemas e do que a natureza nos oferece.

É esta a agricultura que se pratica e que nos alimenta. É esta a agricultura que fixa populações no interior isolado – e muitas vezes esquecido e ostracizado –, que gera emprego, e que tenta equilibrar a nossa balança comercial!

Nós, que vivemos e trabalhamos no campo e do campo, somos os principais preocupados com a sua sustentabilidade e o seu equilíbrio.

Esta agricultura deveria ser valorizada e acarinhada e não diariamente atacada.

Tempos estranhos em que vivemos…

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Observador